
Não vá.
A Biblioteca Nacional é um lugar chato. Lugar de escritores, cineastas, músicos, atores. Só pode ser chato. O que você vai fazer por lá? Se você não curte livros. É o que mais tem. Éca! Borges e Cortáz e Campos de Carvalho a caminho do banheiro. Clarice e salgadinhos. Não cheira bem.
Não vá.
Há lugares melhores ali por perto, no planalto central. Se você gosta de gosta de fotografar, design doido, então... O que vai fazer na biblioteca? É uma agonia de decoração. Putzgrila! Vai dar vontade em você de espanar os livros. Tirar pó das estantes, mandarem os outros calarem a boca e jogar recortes de jornal fora. Por que motivos danados penduram noticias da pré-história, oxi? Por que, em vez de dar recados em placas computadorizadas e luminosas, escrevem à mão, em melecadas cartolinas? Meu Santo e querido PC! Avestruz! A biblioteca nacional, ao que tudo indica, existe para dar vexame.
Um dos donos é o MEC e o outro MdC. Menino, não lhe conto. O gênio que o MAC tem. Você não vai conseguir fazê-lo de tonto. Exigir saídeira. Mandar – como você está acostumado. Assim, a confundir: biblioteca com bar, só porque paga a conta (impostos), acha que pode sair gritando. Lá não. Leitor não tem vez. Baixa a cabeça e fica esperando. E o cadastro feito zelosamente feito pelo MdC.
Os homens das letrinhas são rápidos. Prestativos. Só não venha dizer o que eles têm que fazer. Eles já sabem. Sob a abnegada orientação de um carioca chamado EUA (não confundi um EUA com Rio) trazem montantes, descolam cadeiras extras. Mas repito: não adianta se você não é provido de uma gentileza. De uma delicadeza literária. Se você é daqueles que preferem outra gramática atualizada.
Não vá.
Logo de cara da para se situar. Do tipo de freqüência. Sabe aquele dramaturgo? Sem papas na língua? De sapato brilhando? Sim, o Jorge Amado está sempre em pé. É só você não se aproximar. É só deixar ele na dele, sozinho. Afogando os olhos nos livros.
Outro que não merece a sua confiança é o tal de Fernando Meireles, pois é. Aquele que dirigiu “não sei o que lá de Deus”. Em tempo: loucamente apaixonado por cinema. A Globo espalhou comentários falsetas sobre o dito cujo. Mancada né? Filme que com certeza não farão a sua cabeça: de Fellini, Kubrick e Pasolini. Gente que adoraria um cenário desses?
E ainda: figuras avessas como o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez e o autor colombiano Efraim Medina Reyes elegeram a biblioteca nacional como a melhor biblioteca do mundo. Quanto exagero! Motivo ainda maior para você desconfiar onde estará se metendo. É fria.
Já pensou se você marca com os amigos quebrados da faculdade? Ou se você resolve relaxar lendo algumas daquelas obras que eles chamam de “cultura nacional”? Ta bom, que seja. Quanta decepção! Você vai ficar com a cara no chão no corredor polonês. Explico: para ir ao sanitário, o caminho é estreito. Apertado, sempre tem um atendente tarado. De olho no seu “balanço.”
Eu juro, eu imploro. Não vá. A biblioteca não foi feita para você. Tem uma lanchonete e bar por lá. Há mais de 50 anos que aquela zona existe. E ninguém toma uma atitude. Sério. E sírio. Começou como uma quitanda de imigrantes, vendendo arroz, carne de sol e produtos de limpeza. Aí resolveram vender bebidas. E, depois, acho eu, virou locadora. E não faz muito tempo, uma livraria. Já imaginou? Tomar cerveja com Pinho Sol? Uma dose de água sanitária com mostarda no seu ketchup?
Não. É melhor evitar.
Recapitulando: escritores, cineastas, músicos, atores nunca foram boa companhia. São toscos e grotescos, se acham os reis do mundo cultural. Ariscos como aqueles estrato de tomate. E, sobretudo, egoístas. Tão nem ai para você. Não gostam mesmo de se misturar. Por favor, não apareça, se preciso, não passe nem
De repente, corre o risco de me encontrar por lá.
Não vá.
by: Robson Senna Info _ 2010
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